"Legado?...", perguntei a mim mesmo. Legado pra quem? Para a posteridade, obviamente!... Mas, por que a posteridade se interessaria por um livro meu?... Além disso, na época, eu já havia escrito dois trabalhos que poderiam ser considerados como meu legado: uma dissertação de mestrado sobre literatura russa e uma tese de doutorado sobre música popular brasileira. Mas, quem me provocou a escrever este livro já sabia disso e colocava como condição que o legado deveria ir além desses trabalhos acadêmicos.
Mas, se o legado não é acadêmico, então deveria ser de ordem pessoal? O que teria, na minha vida pessoal, que interessaria às gerações futuras? Eis, portanto, a primeira questão importante que motiva este livro: o que existe na minha vida, ou seja, na vida de um anônimo e desconhecido que pode interessar ou mesmo contribuir para as gerações futuras?
Trata-se de uma questão cujo avesso é mais relevante que o direito: se, na minha vida, não há nenhum registro interessante o suficiente para ser deixado como um legado, qual, afinal, tem sido seu significado?... A resposta a esta questão inverteu minhas motivações para escrever este livro. Eu já não mais o escreveria porque alguém talvez se interessasse por ele no futuro, mas porque seu conteúdo mereceria interesse.
Decidi então que escreveria um livro sobre as principais lições que tinha aprendido até então na vida porque, a meu ver, se há um legado que podemos deixar registrado em livro é justamente sobre o que aprendemos.
E, no trabalho de organização das lições que aprendi e, consequentemente, dos capítulos deste livro notei que muitas das lições dialogavam com acontecimentos que ocorreram nos dias próximos a este convite que recebi. Donde deduzo que o convite não veio assim do acaso como, aliás, muitas coisas que nos acontecem na vida. A questão, portanto, é saber interpretar os fatos e os dias que se sucedem um após o outro. Algo, portanto, que se relaciona ao primeiro aprendizado que irei compartilhar com o leitor no capítulo seguinte.